
Por Que Você Acha Que Nunca Será Bom o Suficiente Para Criar um Game?
“Nunca vou ser bom o suficiente para criar um game que as pessoas realmente gostem.”
Quantas vezes essa frase já ecoou na sua mente? Você tem ideias, já tentou começar, talvez até tenha avançado em alguns projetos. Mas, em algum momento, bate aquele pensamento paralisante: “E se tudo isso for uma perda de tempo?” “E se ninguém se importar?” Ou pior: “E se eu simplesmente não for talentoso o bastante?”
Se isso ressoa com você, saiba que não está sozinho. Na verdade, esse medo é quase um rito de passagem para qualquer pessoa que se aventure na criação de games. O perfeccionismo, a insegurança e a comparação com os outros criam um peso difícil de carregar. Mas há algo que você precisa saber: essa voz na sua cabeça mentiu para você o tempo todo.
A mentira do “talento inato”
Temos essa ideia romântica de que os grandes criadores de games nasceram com um dom especial, uma habilidade mágica que os levou ao sucesso. Mas a verdade? Nenhum deles começou sendo brilhante. Cada game aclamado hoje já foi um projeto feio, confuso e cheio de bugs em algum momento. Cada grande desenvolvedor já olhou para sua própria criação e pensou: “Isso é horrível.”
Seja qual for seu ídolo na indústria — Hideo Kojima, Toby Fox, Eric Barone — todos passaram pelo mesmo ciclo: tentaram, erraram, aprenderam e tentaram de novo. A única diferença entre eles e quem desiste é que eles continuaram.
O problema é que a gente só vê o resultado final, nunca o caos por trás dele. Quando jogamos algo incrível, esquecemos que, em algum momento, aquele game era só um punhado de código bagunçado e sprites desalinhados. E essa ilusão faz parecer que você nunca vai chegar lá.
A comparação que rouba sua motivação
Vamos ser sinceros: o Instagram, o Twitter e o YouTube não ajudam. Você vê desenvolvedores indie postando trechos lindos dos seus jogos, vídeos mostrando mecânicas inovadoras e conceitos visuais impecáveis. Você olha para o seu próprio projeto e sente como se estivesse anos-luz atrás.
Mas o que você não vê são as madrugadas que esses criadores passaram frustrados com bugs, as ideias que não deram certo, os arquivos deletados. Você não vê a bagunça dos bastidores, só a vitrine. E é injusto comparar sua fase inicial com o produto refinado de alguém que já percorreu essa jornada.
Além disso, seu game não precisa ser uma obra-prima para ser amado. O que realmente importa para um jogador não é a perfeição técnica, mas a experiência emocional. Jogos como “Undertale” e “Stardew Valley” não conquistaram fãs porque eram impecáveis, mas porque tinham alma. Eles criaram algo autêntico, algo que ressoava com as pessoas. E você pode fazer o mesmo.
O ciclo destrutivo da autossabotagem
A insegurança leva a um padrão perigoso: você começa um projeto empolgado, mas logo encontra dificuldades. Talvez uma mecânica não funcione como você imaginou. Talvez os gráficos não fiquem tão bons quanto gostaria. E então, ao invés de continuar ajustando, você começa a duvidar de si mesmo.
Aí vem a procrastinação. Você pensa: “Vou aprender mais antes de continuar.” Começa a consumir tutoriais sem parar, testa engines diferentes, mas nunca foca em um só projeto. Eventualmente, a motivação inicial desaparece e você abandona tudo.
E assim, o ciclo se repete. A cada nova tentativa, a dúvida aumenta, e a cada desistência, a confiança diminui. O resultado? Uma pilha de rascunhos inacabados e a sensação de que você nunca vai conseguir.
Como quebrar esse ciclo
Se você quer superar esse bloqueio e finalmente criar um game que as pessoas realmente gostem, precisa mudar sua mentalidade. Aqui estão algumas coisas que podem ajudar:
- Aceite que seu primeiro jogo será ruim — e isso é bom Não tente criar sua obra-prima logo de cara. Faça algo pequeno. Um jogo simples, curto, com mecânicas básicas. Seu objetivo inicial não é impressionar o mundo, mas terminar algo. Completar um projeto (por menor que seja) vai mudar sua autoconfiança.
- Terminar é mais importante do que aperfeiçoar Você pode gastar anos refinando uma única mecânica, tentando fazer tudo perfeito. Mas a perfeição nunca chega. Se você quer melhorar, precisa terminar projetos, aprender com eles e seguir para o próximo.
- Encontre um grupo de apoio Participar de comunidades de desenvolvedores pode mudar tudo. Conversar com outras pessoas que enfrentam os mesmos desafios mostra que você não está sozinho. Além disso, compartilhar seu progresso (mesmo que imperfeito) pode gerar feedback valioso e motivação.
- Redefina o que significa “ser bom o suficiente” O que isso realmente quer dizer para você? Ter milhares de jogadores? Criar um jogo inovador? Ou simplesmente fazer algo que alguém (mesmo que seja um amigo) ache divertido? Defina um objetivo alcançável e trabalhe para ele.
- Trate seu progresso como um jogo Em games, você não desiste no primeiro obstáculo — você aprende, adapta sua estratégia e tenta de novo. A criação de jogos funciona da mesma forma. Veja cada erro como um “checkpoint” de aprendizado.
O jogo que só você pode criar
Há um jogo dentro de você que só você pode fazer. Ninguém tem sua visão, suas ideias, suas influências. Se você não o criar, ninguém mais o fará.
Então, e se ao invés de perguntar “E se meu jogo não for bom o suficiente?”, você se perguntasse: “E se ele for exatamente o que alguém precisa jogar?” “E se alguém, em algum lugar, estiver esperando por essa experiência?”
A única forma de descobrir é criando. Seu primeiro jogo pode não ser perfeito, mas será um passo na jornada. E cada passo leva você mais perto de onde quer chegar.
Seu game merece ver a luz do dia — e você merece a chance de surpreender a si mesmo. Quer ajuda para dar esse próximo passo? Junte-se à nossa comunidade e aprenda com quem já esteve no seu lugar.